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Mari Mari, 19. Fotografia & Sex Pistols & Cinema Trash. @mriczr no instagram.

sexta-feira, agosto 30, 2013

Jeffrey Hanz

O barulho do soco ecoou tão alto, que por um momento não acreditei que tinha sido na minha cara. Mas uma dor insuportável começou a latejar, deixando isso bem claro. Fiquei tonto. Dois deles me seguraram e eu os reconheci da faculdade. Patrick me deu outro soco, dessa vez na barriga. Caí de joelhos e senti o gosto de sangue que subira à boca do estômago. Os dois caras da faculdade soltaram meus braços e começaram a me chutar no chão. Covardes. Meu orgulho me impedia de gritar enquanto eles acertavam pontapés nas minhas costelas. Pensei em tentar revidar, mas seria uma atitude estúpida. Era um contra três, e tudo que eles fariam é me bater mais.
- E então, Jeffrey Hanz, - Patrick sussurrou ao meu ouvido - você gosta da dor?
Após dizer isso, ele chutou o lado esquerdo da minha cabeça, com força, fazendo sangrar minha orelha. Comecei a repetir a frase mentalmente, mas a dor era forte demais.
- Não vai responder? - Ele continuou, provocando.
Não respondi. Toda a minha energia estava focada em continuar respirando. Ele voltou a abaixar o tom:
- Nunca mais encoste na minha irmã de novo.
Eu estava todo fodido, espancado por um trio de mauricinhos, e me perguntava se valia a pena passar por isso pela Sophie. A resposta era: Claro que sim.
Patrick e seus amigos acéfalos continuaram me batendo, enquanto eu me refugiava na lembrança da irmã dele. Desde a pele de pêssego, às mãos delicadas, à boca rosada que me levava à loucura. Os olhos grandes e alegres, o sorriso ingênuo, e aqueles...
Um pontapé mais forte me arrancou do meu delírio. Acho que acertou alguma coisa importante aqui dentro. Mas mesmo assim, eu não gritei.
- Você é um doente. - Patrick disse, e eu me surpreendi ao ver que ele quase chorava. - Ela tem oito anos.
Pararam de me bater. A adrenalina diminuiu em minhas veias, o que fez a dor aumentar. Pensei que fossem me matar, mas se afastaram. Cuspi sangue no asfalto. Tirei o celular do bolso, e constatei que a tela estava violentamente rachada. Mas o aparelho funcionava, então chamei uma ambulância. Doente? Eu era muito pior que isso. E pior ainda era saber que eu faria de novo. Para o bem da pequena Sophie, Patrick, você devia ter me matado.