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Mari Mari, 19. Fotografia & Sex Pistols & Cinema Trash. @mriczr no instagram.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

School Sucks.

O sinal tocou. Em 20 minutos, fora empurrado no chão do vestiário, e Tyler tinha o pé direito apoiado em sua bochecha. A areia na sola fez com que seu rosto ficasse todo vermelho em segundos. Mas a pressão só aumentava.
- E aí, J.C., o que vai ser? - Tyler se abaixou, de forma que sua voz ficou assustadoramente próxima.
Tentou se libertar, mas Tyler tinha 15 e fazia o tipo atleta, enquanto ele era só o esquisito da escola, do alto de seus 13 anos de idade. Em poucos segundos, estava com a cara no chão de novo.
- O que você quer, porra? - Sua pergunta abafada só fez com que o outro começasse a rir.
- Não queira saber. - Foi a resposta.
- Eu não faço questão de saber. Só me solta ou eu quebro a sua cara mais tarde.
- De onde veio essa marra toda, J.C.? Da época em que eu andava com você?
Os dois já haviam sido mais amigos, quando um tinha 10 e o outro 12 anos de idade, mas Tyler começou a evitá-lo do nada, sem motivo aparente, e resolveu ressuscitar dois anos depois, fazendo coisas como atirar uma fileira de armários em cima dele, ou empurrá-lo no chão do vestiário e pisar em seu rosto. Hoje em dia, julgava já ter aturado de tudo.
- Você é um merda. - Disse - Viado.
As bochechas de Tyler coraram pela raiva. Aquela acusação realmente era seu ponto fraco. Fora assim desde que os dois se conheceram, e o garoto aguentava qualquer "Filho da Puta", mas nunca levou um "Viado" pra casa. J.C. sabia disso. E foi exatamente por esse motivo que escolheu justo essa palavra agora.
Gritou quando Tyler acertou suas costelas com um chute. Recuperou o fôlego e disse:
- Você não sabe que chutar alguém no chão é covardia?
- Eu vou te mostrar o que é covardia. - Disse Tyler, caprichando em mais um chute.- Ainda consegue se levantar?
J.C. tentou, mas o máximo que conseguiu foi apoiar-se nos próprios joelhos. Sua cabeça doía e tudo a sua volta parecia girar. Estava tão confuso que demorou minutos para entender que Tyler abria as calças.
- Mas o que...
- Você sabe o quê.
- Tyler, por favor, de novo não...
- Ah, então agora você está implorando? Vamos voltar pra cinco minutos atrás quando você dizia que ia quebrar a minha cara, que tal?
- Você não pode me forçar.
- Não. Mas eu posso te encher tanto de porrada, e como você vai explicar pra sua mãe que apanhou do único cara na escola que ela acha que é seu amigo? Você mente, não é, J.C.? Pra ela não achar que o filho dela é sozinho.
- Cala a boca.
- Só tem um jeito de me fazer calar a boca.
J.C. concordou com a cabeça, respirou fundo, e tentou fazer aquilo sem pensar em nada. Até Tyler segurar seu cabelo e dizer:
- Olha pra mim quando estiver me chupando.
Ele obedeceu. Só queria que acabasse.
E aquela merda toda durou até o segundo sinal, quando o professor de Educação Física entrou no vestiário, e os dois perceberam que havia passado muito mais tempo do que imaginavam.