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Mari Mari, 19. Fotografia & Sex Pistols & Cinema Trash. @mriczr no instagram.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Minha religião é Beleza Americana. Meu Deus é Kevin Spacey.

Atenção: Esse é um texto pessoal e eu estou sensível. Então se você é do tipo que não lê o post, espere pelo próximo - porque receber comentários de quem claramente não prestou a menor atenção no que eu disse pode me deixar ainda mais sensível, e eu posso acabar me matando. Você gostaria que isso acontecesse? Conseguiria conviver com a culpa? Acho que não.
Estou em uma daquelas fases de vazio existencial em que até cachorros de rua me fazem chorar (isso foi só um exemplo, cachorros de rua não me fazem chorar, eu detesto cachorros).
Tudo é chato. E eu enjoo rápido demais. Me apaixono três vezes ao dia por qualquer um que me pareça um pouco menos entediante - e normalmente demoro de 5 a 15 minutos para me decepcionar.
Tudo é extremamente chato.
É uma questão de expectativa e decepção, sabe. Eu tento manter minhas expectativas baixas, mas no fundo sempre acabo acreditando que dessa vez vão me trancar em um hospício com a Angelina Jolie, ou que eu vou montar o Clube da Luta, ou que eu vou traçar um plano de vingança foda com uma caminhonete linda e espadas samurais, ou que eu vou voltar para a época que meus pais se conheceram em um Delorean prateado ou, melhor ainda, que eu vou ganhar muito dinheiro e sair por aí combatendo o crime vestida de morcego.
Mas nada disso acontece, e tudo continua um saco.
E eu penso em me matar, mas daí me lembro que Sin City está em cartaz cheio de Eva Green em cenas picantes e que eu não posso morrer sem ver isso.
...E continuo extremamente entediada.
Poderia parafrasear a loira de Beleza Americana e dizer que "não existe nada pior que ser comum", mas acho que dizer que "todo mundo é diferente" não passa de uma maneira anestesiada de dizer que todo mundo é igual.
Eu penso demais e durmo de menos, esse é o meu problema. Acabo ficando emocional quando estou com muito sono, e isso com certeza vai acabar me matando.
Fui rotulada como "diferente" a minha vida inteira, unicamente porque não perco tempo fingindo que está tudo bem o tempo todo, e isso parece incomodar profundamente a maioria das pessoas.
Pra ser sincera, mesmo que algo de fato mude, tudo vai continuar sendo um saco, porque a minha vida não é um filme, e essa é a única coisa que possivelmente poderia me fazer feliz. Kevin Spacey na minha frente, dizendo: "Você não poderia ser comum, mesmo que tentasse".