1.

Mari Mari, 19. Fotografia & Sex Pistols & Cinema Trash. @mriczr no instagram.

sexta-feira, setembro 25, 2015

Polaroid

Carlos era um excelente fotógrafo. Ele sempre conseguia captar a emoção, de alguma forma, talvez em parte por causa dos seus temas excêntricos. A maioria dos projetos dele eram fotos de coisas assustadoras ou de pessoas com medo.
Eu sempre tive pavor de aranhas. Ele fez um ensaio com aranhas e me deu de presente. Eu fingi que gostei e guardei tudo em uma gaveta bem longe de mim. Carlos era meu melhor amigo desde os 11 anos, e tirava fotos com uma polaroid 363. Caso você não saiba: o filme dessa merda é caro pra caralho. Então qualquer dinheiro extra ia invariavelmente pra isso.
Um dia ele colocou uma aranha no meu braço e ficou fotografando a minha cara enquanto aquele demônio asqueroso subia pela minha pele. Eu gelei. Tentei gritar, me debater, ou jogar aquela merda no chão, mas só consegui me mexer quando Carlos acabou as fotos e tirou o animal do meu braço, com toda a paciência do mundo.
- Olha. - Ele disse, sacudindo uma fotografia ainda não completamente nítida com a minha cara apavorada nela. - Está maravilhosa.
- Vai se foder, Carlos. - Eu respondi, me levantando na direção do barbante com novas imagens penduradas, das últimas duas semanas. Aí eu deixei meu celular cair no chão e não sei se foi a adrenalina ou se realmente foi tão alto o som da tela rachando.
Crack. 
Eram umas 20 fotos diante de mim, todas elas mostravam mulheres mais ou menos da nossa idade, assustadas, tentando inutilmente empurrar alguma coisa com as mãos como se não conseguissem ver claramente o que estava diante delas. Pareciam drogadas. Algumas estavam chorando, com as calcinhas nos joelhos.
- Carlos - eu disse - Vou te dar 5 minutos pra explicar que porra é essa.
- Um ensaio sobre o medo. - Ele disse. - Eu coloco alguma coisa na bebida delas e...
- Eu não preciso ouvir o resto. Acho que eu já sei.
- Elas são minha obra prima.
- Elas são doentes.
 - Relaxa, as meninas não se lembram de nada depois.
- Eu acredito que elas devem se lembrar de alguma coisa...
- Nope. Nadinha.
- Como você sabe, seu psicopata de merda?
 - Eu fiz uns teste antes.
- Ah, é? Com quem? COM A SUA MÃE!?
- Com você.

ps: Um conto ruim daqueles que vem quando eu não tive tempo de escrever nada melhor. Se eu demorar pra responder os comentários, to enrolada.

quarta-feira, setembro 16, 2015

Socorro, Ritalina & The Walking Dead.

1. Estou muito mal. Socorro.
E eu estava bem, pqp. Aí eu acordei e pensei que seria um dia lindo pra me atirar no buraco do metrô. Chorei comendo, chorei no banheiro da faculdade, chorei no metrô (nenhum outro passageiro pagava as minhas contas) chorei em casa até as lágrimas começarem a queimar. Agora chega.
Nem a sr. Durona aqui resiste aos efeitos da TPM, amigos. Verdade seja dita.

2. Minha irmã foi conversar com a orientadora da escola dela sobre ansiedade e dificuldade pra concentrar, e adivinha o que a filha da puta sugeriu? Terapia, claro. Hoje em dia qualquer problema que você tenha na adolescência pode ser resolvido com terapia ou ritalina. Isso é uma puta babaquice. Será que as pessoas não percebem o quanto isso é fodido? Não to falando da terapia em si, to falando de trancar um menor de idade numa sala com um adulto desconhecido.
Eu sei que algumas pessoas têm experiências maravilhosas, mas eu só me fodi. E é lógico que eu não quero ver minha irmãzinha seguindo exatamente o mesmo caminho.
Fui tentar mandar a real pra ela, mas aí eu chorei, foi apelativo, foi feio.

3. Pra ajudar a engolir setembro: a cada dia estamos mais perto da volta de The Walking Dead.

sexta-feira, agosto 21, 2015

Tentando & Horns

1. Sabe quando aconteceu alguma coisa, e você tenta esquecer, mas essa coisa começa a te consumir, e aí seu maior inimigo se torna o medo de um dia se olhar no espelho e só enxergar a coisa em questão? E você sabe que as pessoas não vão mais te foder tanto hoje em dia, mas seu lado irracional insiste em ser mais forte e atribuir SIM todo esse poder a elas? Então.
Eu to tentando, juro que to, mas tá foda.

2. Caro leitor, se você não tiver nada para dizer sobre um texto, evite "é, também me sinto assim as vezes, sei como é, bjs" e derivados. Não seja falsiane. Sempre tem mais de um assunto no post e eu vou entender se você só quiser comentar a indicação de filme. Obgda.

3. Reparem a frequência com que eu indico coisas do Daniel Radcliff por aqui. É que eu acho ele um puta ator (muito melhor que a superestimada Emma Watson, cá entre nós) e também tem o fato de que o blog é meu etc. Horns é sobre um infeliz que está sendo acusado pelo assassinato de sua namorada, mas um belo dia ele acorda com chifres na cabeça (isso mesmo), que parecem fazer com que as pessoas confessem coisas descontroladamente para ele.
O filme é bom, tem bastante humor negro e excelentes atuações, mas eu vou avisando logo que o final é bem louco. Meio exagerado até. Se você tiver netflix, tem lá.
 

sexta-feira, agosto 14, 2015

Drama & Orange is The New Black

atualização 14/08: fiz uma pequena modificação no título. Acho que eu estava chamando atenção para o ponto errado. Troquei por "drama", mais neutro.

1. Assisti a esse vídeo outro dia, tem por volta de quatro minutos e é em inglês, então se vc não falar inglês ou não estiver a fim de ver, é sobre um dude que dá de cara com o estuprador dele no "pessoas que você talvez conheça" do facebook.
Ele descobre que tem amigos em comum com o cara, stalkeia o cara e aproveita pra se torturar bastante. O vídeo é daqueles que você vê e depois conclui que é tudo uma merda, as pessoas te fodem e fica por isso mesmo, se você der azar a vida ainda vai te empurrar aquelas pessoas goela abaixo de vez em quando, amargas como remédios.
Filmezinho bem didático. É bom ver que eu não sou a única a não conseguir seguir em frente.
Fobia social é o drama do momento. Não sei lidar com esse tipo de coisa.
Tudo que conta na real é o risco da sair de casa e dar de cara com o Trauma, na festinha, no shopping, na padaria. Prefiro não sair. Cobrança pessoal ainda me leva a tentar de vez em quando, mas acabo fingindo que estou passando mal.

2. Terminei a segunda temporada de Orange is the New Black ontem e WOW. Sério, se você é do tipo que largou nos cinco primeiros episódios porque não aguentava mais olhar pra cara da Piper: Insista. Vale a pena mesmo. Piper não melhora, mas ela se torna só mais uma com o tempo.
De todas as minhas personagens favoritas, destaco a Poussey por identificação. Me vejo tomando as mesmas atitudes no lugar dela. Dividimos o signo também, mas eu não acredito nessas coisas e é mera coincidência, claro. Óbvio.
...E a Red. Cara, são muitos motivos. É muito amor. Pra começar, o sotaque russo dela. Russo, gente, puta que pariu. O cabelo dela. As atitudes dela. Sem falar que ela foi presa por causa da Máfia. Deixa eu repetir: máfia. E ela sempre tem uma frase foda pra dar na cara dos outros. Por favor, Red, me coma.

terça-feira, agosto 11, 2015

Astrologia, filmes gays e fotografia

1. Nossa, que saudade de escrever um post pessoal e depois me arrepender amargamente por ter escrito coisas íntimas na internet e de quebra ainda me odiar por semanas <3.
Sinto falta de posts sinceros, já que eu excluí ou nem sequer publiquei a maioria deles. Muitos foram para o vácuo porque não estavam bons, mas outros eu realmente gostaria de poder ler de novo, só que na época eu estava arrependida e era mais fácil excluir aquele texto e fingir que eu nunca publiquei aquelas coisas. A verdade é que não adianta de porra nenhuma, já que a opção "excluir a babaquice que eu falei" não existe na vida real, mas um pouco de hipocrisia nunca matou ninguém.
Não dá mais empurrar toda a minha merda para de baixo do tapete e fingir que eu nunca fiz nenhuma dessas coisas estúpidas. Mas eu posso culpar meu mapa astral horrível, é claro. Simples assim. E talvez seja ainda mais imbecil recorrer à religião ou a superstições (porque, convenhamos, no fim dá tudo no mesmo) para poder lidar com as próprias cagadas. Eu entendo se você pensar assim. Eu mesma pensava assim, mas, honestamente, acabei descobrindo que atribuir meu comportamento ao meu sol em Áries é muito mais reconfortante do que aceitar que eu---- fato censurado porque, bem, é a internet.
É me odiar ou culpar meu ascendente (escorpião).

2. To querendo indicar um filme, então okay, vejam Kill your darlings. Se você tem pacote now+HBO, tem de graça lá. Se não, deve ter de graça em algum lugar da internet. Sempre tem. A história é foda, tem bastante gente bonita, tretas, romances viscerais e assassinato. Tudo isso com bastante sexo gay. Sem erro mesmo.

3. Criei um tumblr para as minhas fotos, porque página no facebook é uma coisa muito tosca mesmo. Sou amadora pra cacete, mas é bom ter um lugar pra jogar as melhores. VAI QUE, né. Pra quem quiser seguir, curtir, reblogar, rir da minha cara, etc: mriczr.tumblr.com

sábado, julho 04, 2015

Gabriel

A gente sabia que o Gabriel era doido pra caralho. Mas todo mundo meio que levava na brincadeira.
Nós nos conhecemos no fundamental. Sétima série, eu era novo na escola porque tinha sido chutado pra fora da última. Ele foi o primeiro a me receber numa boa, mas os outros caras não demoraram muito para me acolher depois dele.
Bem, você com certeza já levou uma nota baixa ou saiu na porrada, mas o Gabriel era perfeito. Ele fazia tudo absolutamente certo e ainda era bonito pra cacete, então todo mundo sempre gostou dele.
Éramos quatro no nosso grupo: Diogo nunca tirou uma nota acima da média na vida, Thiago era o estereótipo perfeito do gordo chato, e eu levava suspensões periódicas. E tinha o Gabriel, claro. Ele não tinha nada de errado. Aparentemente, pelo menos.
Aqui vai o que eu sabia sobre ele: Gabriel queria ser médico, o que gerava bastante discussões no grupo, já que a única chance que o Thiago tinha de pegar alguém era com o Gabriel do lado, mas a verdade é que ele constantemente trocava as festas por noites de estudo.
Ele apanhou do pai até ter mais ou menos 13 anos, quando o cara foi preso.
Uma vez nós fomos ver um filme na casa dele, e o filme era um curta de 30 minutos sobre um legista que transava com um cadáver ao som de música clássica. Depois eu fui descobrir que o filme está liberado no youtube, se você tiver mais de 18 na sua conta.
Gabriel riu os 30 minutos inteiros. E nós rimos também, só que por nervosismo. Ou então porque ver nosso amigo rindo de uma coisa tao bizarra era, no fundo, engraçado mesmo.
Isso foi há 15 anos. Agora Diogo está desempregado, Thiago está em um casamento infeliz, eu sou publicitário e Gabriel é médico legista.
Sempre fomos bons amigos sem grandes problemas, digo, era só evitar que o Gabriel escolhesse o filme e ficava tudo bem.
Toda sexta feira Happy Hour no mesmo bar. Dessa vez, discutíamos vícios. Diogo ama cocaína, Thiago ama prostitutas e eu bebo pra caralho.
- E voce, Gabriel? - Diogo insistiu. - Fala aí.
- Um vício? - Gabriel sorriu entre um gole de Whiskey e outro. - Eu...
- Nao enrola. - Eu disse.
- Ok. Eu como gente.
Diogo caiu na gargalhada. Mas durou só cinco segundo, quando ele percebeu a minha cara e calou a boca. Silencio total. Gabriel continuou:
- Nada demais. - Ele parou pra dar mais um gole na bebida - De vez em quando eu faço a autopsia de alguém muito jovem, sabe como é, aí é só pegar um pedaço de algum órgão interno que ninguém vai dar falta pra enterrar.
Thiago engoliu em seco enquanto ele relatava que já havia provado Fígado, cérebro e coracão.
- É realmente meio viciante quando você começa. - Gabriel completou.

Depois daquele dia, nenhum de nós nunca mais falou com ele.

sábado, maio 23, 2015

Carta aberta a Ferris Bueller


Peço desculpas desde já à Tyler Durden, Freddy Krueger, Batman, Hayley Stark, Norman Bates, Victor Frankenstein e todos os meus outros personagens favoritos que não estão nesse post.
Principalmente o Rorschach, meu super herói favorito e que com certeza seria a opção número um para quem eu mandaria uma carta, mas infelizmente não consegui escrever para ele mais do que um blá blá blá dramático do tipo "tive uma adolescência difícil e cresci gostando de super-heróis, que original" - me agradeçam depois por ter tido a sensibilidade de poupá-los disso.

Ferris Bueller é o protagonista da comédia dos anos 80 "Curtindo a Vida Adoidado", se você ainda não viu vá ver agora, e também pode me agradecer por isso mais tarde.
Caro Ferris,
Acredito que toda criança que nasceu depois dos 80's e cresceu assistindo filmes chegou a experimentar essa constante urgência em crescer. Nós queríamos avançar o tempo para quando teríamos nosso primeiro beijo em uma caverna subterrânea como em Goonies, ou nossa primeira vez com uma garota meio vampira em uma caverna escondida (cavernas são bastante constantes para experiências sexuais, como você deve ter percebido) como em lost boys. Nós queríamos ser como Sandy Olsson ou como John Bender, mas principalmente: nós queríamos ser Ferris Bueller.
Você me disse que a vida passa rápido demais. E eu só queria chegar ao ensino médio, quando eu finalmente teria uma garota linda e um melhor amigo sensacional, e poderia enganar todo mundo e teria Beatles tocando no fundo.
Você me fez crescer achando que tudo seria incrível, mas é tudo uma droga, então vá se foder. 
Em nome de todas as crianças que cresceram obcecadas por filmes e que se encontram absolutamente frustradas agora, Ferris Bueller, eu te mando à merda.

Atenciosamente,
Mari Mari

ps: Eu te amo, Ferris. Você é o máximo.




segunda-feira, abril 06, 2015

When revenge is not an option.

Misfits &lt;3Eu te odeio, Tyler.
Passou tempo pra caralho, mas eu ainda te odeio. Talvez eu devesse crescer, deixar isso ir, superar essa merda, mas talvez eu só seja infantil e estúpido. Era exatamente isso que eu era, não é? Jovem demais e estúpido demais, e acho que acreditava em alguma espécie de justiça divina ou coisa do tipo. Me forcei a crer que você não valia a pena. Prometi a mim mesmo que o jogo viraria sozinho e que tudo ficaria bem. Você acabaria muito mal porque todo mundo paga pelo que faz.
É, dizem que as pessoas pagam pelo que fazem, mas tudo que eu vejo é um jovem garoto feliz.
É claro que considerei a possibilidade da vingança , mas vamos lá, essas coisas não acontecem na vida real, então a raiva só ficou guardada aqui me dando câncer.
Eu devia ter acabado com você, provavelmente já estaria fora da prisão agora. E talvez a prisão seja um lugar muito hostil e cheio de humilhação para um garoto mimado como eu, mas cá entre nós, nenhuma humilhação diferente das que você me fez passar.
Durante quase dez anos eu aproveitei a ilusão de que, com sorte, talvez nunca mais precisasse olhar pra sua cara. Mas agora eu sou obrigado a te ver, e puta que pariu, você está insuportavelmente bem. Você não está fracassado, ou derrotado, ou morto. O mundo não girou. Eu não "venci" nada. Você não pagou porra nenhuma, porque não existe essa coisa de karma. Você está bem, assim como eu, e está sorrindo pra mim sob a desculpa invisível de que eramos jovens demais na época. Crianças não sabem o que fazem. Talvez você seja uma boa pessoa agora, não é?
Conhecemos pessoas em comum, vamos nos esbarrar por aí... Talvez você não seja mau, certo?
Naquela festa ontem a noite quando você virou pra mim e disse:
"E aí, JC, há quanto tempo!" - o calafrio subiu minha espinha e a repentina vontade de vomitar tornaram difícil forçar um sorriso. Mas eu sorri. É, seu filho da puta, eu sorri, mesmo sabendo que ainda posso sentí-lo dentro de mim a noite, e que ainda sonho com aquele maldito vestiário. Escuto risadas e acho que estão rindo de mim, vejo pessoas sussurrando e acho que é sobre mim. Tente enxergar, não sou auto-centrado, sou paranoico.
E a culpa é minha. Eu optei por ficar calado. Eu não procurei justiça e tudo que eu fiz foi esperar acabar e tentar esquecer. A situação em que me encontro agora é unicamente fruto das minhas escolhas. Mas mesmo assim eu te odeio, Tyler.

domingo, março 01, 2015

O Fantasma.

- A gente tem que sair desse quarto, Fred.
- Tem não. Tem porra nenhuma. Me dá um motivo.
- Tem um fantasma no quarto do lado, cara.
- Exatamente, no quarto do lado. Não tem porque pedir uma transferência por isso. O ponto é ótimo, a vista é legal. Dá pra ver o campus todo daqui.
- Qual é o seu problema? Eu fico apavorado quando ele faz barulho! Você fica de boa?
- Ele sempre desiste rápido das batidas, os passos são tranquilos, e você tem que estar muito perto da parede pra ouvir os sussurros. Cê tá exagerando, Guga, numa boa, a gente é melhor amigo desde os cinco anos. Você acha que depois da transferência eles vão colocar a gente no mesmo quarto de novo? Claro que não, brother, claro que não. Você vai querer dividir o quarto com um estranho?
- Pelo menos talvez o estranho transe comigo. Você nunca transa comigo.
- Ah cara, fala sério. Boa noite.
- Meu cu que boa noite. Eu não vou dormir com esse fantasma aí do lado. E eu tenho certeza de que ele é homofóbico.
- O fantasma? O fantasma é homofóbico?
- Claro que sim, Fred, pensa um pouco, esse filha da puta deve estar penando aí desde mil oitocentos e batatinha e você acha que ele tem noção de que tá ok ser viado hoje em dia?
- Lógico que não, Guga, o cara já ta morto, ele é mais evoluído. Ele tá ligado.
- Ele já te atrapalhou alguma vez em que você trouxe uma menina pro quarto? Não? Ahá. Inofensivo pra você. Lembra de quando eu trouxe meu ex? Eu tenho certeza de que roubaram meu lubrificante. O fantasma não enche o seu saco porque tu é branco, hétero, homem, classe média...
- Talvez você só tenha perdido o lubrificante.
- Não, não... Eu ouvi uns sussurros...
- Você tá me mantendo acordado às duas horas da manhã de uma quarta feira pra dizer que tem um fantasma sedento de sangue empatando suas fodas? Vai dormir cara, na moral.
- Porra Fred. Não me deixa aqui sozinho não. Não me deixa aqui sozinho não...
- Argh. Quer saber, Guga, talvez tenha sido ciúme. Talvez o fantasma queira transar com você.
- Pô. Cê acha, cara?
- Acho.
- Acha que rola?
- Rola.
- Troca aí de cama comigo então, a sua é mais perto da parede dele.