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Mari Mari, 19. Fotografia & Sex Pistols & Cinema Trash. @mriczr no instagram.

segunda-feira, abril 06, 2015

When revenge is not an option.

Misfits <3Eu te odeio, Tyler.
Passou tempo pra caralho, mas eu ainda te odeio. Talvez eu devesse crescer, deixar isso ir, superar essa merda, mas talvez eu só seja infantil e estúpido. Era exatamente isso que eu era, não é? Jovem demais e estúpido demais, e acho que acreditava em alguma espécie de justiça divina ou coisa do tipo. Me forcei a crer que você não valia a pena. Prometi a mim mesmo que o jogo viraria sozinho e que tudo ficaria bem. Você acabaria muito mal porque todo mundo paga pelo que faz.
É, dizem que as pessoas pagam pelo que fazem, mas tudo que eu vejo é um jovem garoto feliz.
É claro que considerei a possibilidade da vingança , mas vamos lá, essas coisas não acontecem na vida real, então a raiva só ficou guardada aqui me dando câncer.
Eu devia ter acabado com você, provavelmente já estaria fora da prisão agora. E talvez a prisão seja um lugar muito hostil e cheio de humilhação para um garoto mimado como eu, mas cá entre nós, nenhuma humilhação diferente das que você me fez passar.
Durante quase dez anos eu aproveitei a ilusão de que, com sorte, talvez nunca mais precisasse olhar pra sua cara. Mas agora eu sou obrigado a te ver, e puta que pariu, você está insuportavelmente bem. Você não está fracassado, ou derrotado, ou morto. O mundo não girou. Eu não "venci" nada. Você não pagou porra nenhuma, porque não existe essa coisa de karma. Você está bem, assim como eu, e está sorrindo pra mim sob a desculpa invisível de que eramos jovens demais na época. Crianças não sabem o que fazem. Talvez você seja uma boa pessoa agora, não é?
Conhecemos pessoas em comum, vamos nos esbarrar por aí... Talvez você não seja mau, certo?
Naquela festa ontem a noite quando você virou pra mim e disse:
"E aí, JC, há quanto tempo!" - o calafrio subiu minha espinha e a repentina vontade de vomitar tornaram difícil forçar um sorriso. Mas eu sorri. É, seu filho da puta, eu sorri, mesmo sabendo que ainda posso sentí-lo dentro de mim a noite, e que ainda sonho com aquele maldito vestiário. Escuto risadas e acho que estão rindo de mim, vejo pessoas sussurrando e acho que é sobre mim. Tente enxergar, não sou auto-centrado, sou paranoico.
E a culpa é minha. Eu optei por ficar calado. Eu não procurei justiça e tudo que eu fiz foi esperar acabar e tentar esquecer. A situação em que me encontro agora é unicamente fruto das minhas escolhas. Mas mesmo assim eu te odeio, Tyler.

17 comentários:

  1. Uau. Eu honestamente tô sem palavras pra definir o que foi esse conto, mas eu adorei. Adorei mais do que eu deveria, HAHAHA, ai. Mas achei tão verídico que muito possivelmente temos alguém aí passando por essa situação - e mesmo que não chegue a esse extremo, quantas vezes a gente não aguenta um sofrimento calado, achando que vai passar? E não, justiça nunca é feita, mas até aí...
    Ótimo conto, mais nada a acrescentar (y)

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  2. Eu acredito que karma exista, mas ele não se manifesta dessa maneira. E dói demais ver uma pessoa que nos fez algum mal estar se dando bem, mas o fato é que muitas vezes nós vemos só o superficial, o que essa pessoa deixa transparecer, até mesmo mentiras muito bem formuladas justamente para aquele momento. Queria mesmo que fosse possível fazer alguma coisa quanto à pessoa, especialmente porque o crime que aparenta ter sido cometido é uma das piores coisas que pode ser feita a alguém.

    Nessas horas eu vejo o quão importante é não sofrer calado e contar tudo para alguém, mesmo que essa pessoa não possa fazer nada além de tentar te ajudar psicológicamente.

    Beijos,
    nighght

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  3. Bem denso esse conto, senti compaixão pela vítima pois acontece bastante na vida real essas situações, a vítima sofrer vendo a glória do agressor.

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  4. Sempre se pensa que o outro lado vai estar na pior, sofrendo e morrendo como nós mesmos estamos. mas nunca é assim: Só quem se fode é você e se vire pra lidar com isso.

    Queria saber mais sobre o tipo de agressão. Na minha cabeça, consigo enxergar várias vertentes. Acho que pode ter sido a sua intenção (ou não. Com você, nunca se sabe de nada e eu adoro isso *-*)

    P.s.: pode me passar o e-mail pra eu mandar meu face? Já quero ser do coven e que bom que fui aceita, YEY *-*)

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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  5. Não é verdade? A gente se consola achando que ~~o outro vai pagar. O tempo passa, e nós ainda estamos na merda enquanto o outro está sambando.
    Sabe o que mais amo e mais odeio nos seus textos? EU TERMINO DE LER E QUERO LER ALGUMA CONTINUAÇÃO, MAS NÃO TEM UMA PORRA DE UMA CONTINUAÇÃO, e eu fico irritada. Queria saber mais sobre esse episódio, por exemplo. AFF Você podia voltar a fazer ~~contos longos, siiiim?
    Te pego, bjs.
    http://www.canseidesernerd.com/

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  6. Ah, mas eu acredito em karma. Acredito sim que pagaremos por tudo aquilo que fazemos ao outro, demore o tempo que for. E pode ser que eu só acredite nisso para acalmar a minha própria consciência, algo como "aqueles que me fizeram mal receberão o mal", mas não sei. E pode ser que o outro nem esteja tão bem assim, pois hoje em dia é tudo questão do que a pessoa quer divulgar, não é? As festas todas que frequenta, as baladas, as viagens. Só se compartilha aquilo que fará com que sua vida se pareça com um filme de férias - mas lá no fundo o sofrimento pode ser enorme.

    (e acho que divaguei legal aqui, haha)

    De qualquer forma: ADORO sua escrita, Mari. Sempre fico com um milhão de caraminholas na cabeça, querendo saber mais sobre os personagens, o que aconteceu e o que acontecerá após o ponto final. É, sou curiosa e não consigo evitar. (:

    Um beijo!

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  7. Mari,

    seus textos me pertubam um pouco... se essa é sua intenção... parabéns!!
    tem hora que não tem essa de crescer... o sentimento nos domina... geralmente os sentimentos ruins... e aí a gnt vê que não adianta nada... pq o outro tem a vida dele e pronto.

    Bjinhos
    JuJu
    www.asbesteirasquemecontam.com.br

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  8. Ahh são os mesmos personagens de um outro conto seu (School Sucks), estou certa? :)
    Não sei se acredito neste negócio de karma.. sou uma pessoa um tanto pessimista. Então achei que seu conto tem uma boa dose de realismo, afinal quantas vezes isso não ocorre na vida real? Nem sempre as pessoas que prejudicam outras pagam por seus erros..
    E, claro, seu conto está muito bem escrito, e o final deixa um 'gostinho de quero mais' (aliás, poderia ter continuação ^^)

    Um grande abraço

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  9. Ai miga, seus textos são tão bem feitos ;-; <3
    Na verdade, eu li e refleti um bom tempo sobre coisas que aconteceram comigo na infância e na adolescência e.. É, eu bem que queria me vingar, fazer uns caras morrerem de uma morte lenta e dolorosa só com o poder da mente, mas infelizmente tá todo mundo tipo Tyler vivos e belíssimos pelo Brasil :(
    Também não sei se acredito em karma, mas eu acredito em signos, então vai que (?)
    (na verdade não tem nada a ver uma coisa com a outra)
    E criança... Cara, criança não é nada inocente. Outro dia meu irmão de 7 anos deu um soco no olho dum moleque que foi tentar zoar o cabelo dele (toda a família Marcellino passa por isso, tsc tsc). Enfim, sou muito desconfiada com criança, depois de tudo que passei, só posso torcer pros meus filhos serem decentes (e de preferência invisíveis, pra ninguém mexer com eles q)

    Obrigada por presentar a todos com seus contos, não pare nunca! HUAEHUEAUUHAE
    Beijos!

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  10. Ótimo conto!
    E quem nunca foi seu próprio inimigo? Aquela série de coisas que a gente fica remoendo, enquanto a outra pessoa está absolutamente cagando. E quando o tempo passa, a vingança fica vencida. Coisas do subconsciente que não se pode controlar, mas o tempo já passou e as portas já fecharam.
    :*

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  11. Até hoje não sei se acredito ou não em karma. Mas, na maioria das vezes acredito. Aquela velha lei do retorno, sabe? enfim. Que saudade que eu estava de ler seus contos <3 Vou tentar voltar sempre aqui.

    =*

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  12. Poxa, adorei a história.. fiquei com vontade de saber do restante.

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  13. Caralho Mari! Seu conto me deixou angustiado e revoltado. Um conto muito realista que subverte o senso comum de que há uma justiça transcendental que vai ajustar as coisas. Quando a vingança não é uma opção, a justiça se torna uma ilusão. Eu também te odeio Tyler, embora eu não saiba o que você tenha feito.

    Parabéns Mari! Seus contos sempre valem a pena!! Beijos

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  14. Mari, mano, sério... Você PRECISA escrever um livro. Por favor! Vou ser a primeira a comprar. hahahahha Serinho! Tu escreve bem pra caralho, garota. Me sinto até envergonhada com meus textinhos medíocres perto dos seus maravilhosos. *-*
    Bjo Bjo

    http://luddzilla.com

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  15. Mari, eu to aqui tentando entender uma pequena coisa: bullying ou amor?
    Fiquei na dúvida, não sei se sua intenção era essa...
    Contos lindos, sempre <3

    Novembro Inconstante

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  16. Sabor amargo nessas palavras, necessidade de vingança carregada sobre os versos, mas a impotência agarrada aos pés. Foi intenso.

    :*

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  17. Sempre se quer que quem fez algum mal para nós sofra, mas às vezes a pessoa só age como se não tivesse feito um mal tão grande assim e pra ela tá tudo ótimo... Enfim, lembro do conto sobre esses personagens que você publicou aqui meses atrás, gostei dessa "continuação".

    aguardandoocamaleao.blogspot.com

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